TAG: Você é feminista?

27 de agosto de 2016

TAG: Você é feminista?


Vi essa TAG no canal da Iasmin, do blog Prada Porter e resolvi trazê-la aqui pro blog também para explicar algumas coisas. 

1. O que é o feminismo para você?

Todas as respostas que eu vi falaram que feminismo é a igualdade entre homem e mulher. Isso é um equívoco. Feminismo é a EQUIDADE entre homens e mulheres. O que isso significa? 

Imagine que você tem 10 reais e duas pessoas para distribuir esse dinheiro, um homem e uma mulher. O homem já tem 10 reais no bolso e a mulher não tem absolutamente nada. Dividindo com IGUALDADE, cada um receberá 5 reais e o homem ficará com 15 reais ao todo e a mulher com 5. Se colocarmos em prática a EQUIDADE, daremos os 10 reais somente para a mulher, assim os dois ficam com a mesma quantidade de dinheiro no bolso. Entendem a diferença? 

2. Quando você descobriu que era feminista?

Há pouco mais de dois anos eu comecei a me informar profundamente sobre as pautas que vários grupos feministas estavam fazendo, como o aborto, questões trabalhistas e violência de gênero. Também percebi que eu era feminista quando não aceitei um relacionamento abusivo, que me colocava pra baixo e me julgava pelo fato de eu ser mãe solo, isso foi a gota d'água. 

3. O que você mais escuta quando fala em "feminismo"?

"Você depila o suvaco?", "Você odeia os homens?", "Vocês enxergam problema em tudo", "Vocês são vitimistas", "Querem igualdade só até alistamento militar ser obrigatório pra vocês" e "Na hora de pagar menos na balada não é feminista". Essas e outras coisas que pessoas sem informação e desonestas reproduzem por aí.

Por outro lado, também conheci grupos de mulheres periféricas que não fazem a mínima ideia da existência dessa palavra mas se ajudam mutuamente, cuidam do filho das outras enquanto uma trabalha, oferece um ombro depois que a amiga sofreu violência do marido, incentiva a outra mulher a procurar sua independência. São muitos os casos. A gente precisa parar de tentar convencer pessoas desonestas e ajudar quem já está fazendo de tudo pra mudar sua própria realidade, mesmo sem conhecer o feminismo na teoria.

4. Pra você, qual a maior evidência que o feminismo é necessário?

Jovem de 28 anos morre após fazer aborto em clínica clandestina no Rio
Sete homens são indiciados por envolvimento no estupro coletivo de adolescente no RJ
Ouro no futebol dá a cada jogador R$ 500 mil. Rafaela ganhou R$ 35 mil
Cúpula da CBF discute extinção de seleção permanente de futebol feminino

Ainda há mulheres mantidas em cárcere privado. Ainda há mulheres sofrendo abuso sexual e violência psicológica. Ainda há mulheres exercendo a maternidade sozinha e sendo julgada por isso. Ainda há pessoas que justificam estupro com base na roupa ou na quantidade de álcool ingerida pela mulher.

5. O que você mudaria no movimento feminista no Brasil?

O movimento feminista no Brasil ainda é muito frágil, não tem uma consistência, está engatinhando no campo intelectual. Temos poucas obras traduzidas formalmente para o português. O assunto ainda é pouco falado nas escolas e mesmo assim é distorcido. Aliás, esse é o grande problema aqui no Brasil: pegam a notícia de uma fulana que urina em um espaço público como "protesto" e isso se torna a cara do feminismo (por ignorância ou pura desonestidade novamente). 

Já respondeu essa TAG? Deixe aqui nos comentários para eu ver! 

Leituras de Julho

11 de agosto de 2016

Julho passou muito rápido, aconteceram várias coisas que eu contei aqui nesse post e eu não li como eu gostaria... Mas vida que segue né? Acabei lendo autores já conhecidos e apenas um livro da minha lista gigantesca de livros inéditos:



Livro: Longe da Árvore - Pais, filhos e a busca da identidade
Autor: Andrew Solomon
Editora: Companhia das Letras

Andrew Solomon é um escritor nova-iorquino doutor em psicologia. Vindo de uma família judaica, descobriu a dislexia e recebeu todo o tipo de tratamento e afeto na infância e adolescência. Porém, quando assumiu sua homossexualidade não foi bem visto e precisou se afastar da família para ser quem ele é.

Após um longo tempo, ele reuniu depoimentos e vivências de indivíduos divergentes de suas famílias: surdos, anões, portadores de síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, crianças prodígios, filhos concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores. São relações diversificadas, complexas, sofridas e turbulentas, mas que sobrevivem através do afeto.

Gostei do livro porque a leitura é muito comovente, fruto de uma pesquisa longa e com certeza muito difícil. Mas é um livro muito extenso (mais de mil páginas!) e isso acaba desestimulando a leitura em certos momentos. Apesar disso a leitura é super válida para pais e pessoas em geral. Consegui me colocar na pele de tantas famílias e me imaginar sendo mãe de um filho com "personalidade horizontal", como ele denomina.

Um trecho que me tocou bastante: "Um artigo na revista New York sobre gays no Iraque contém esta informação: 'Corpos de homens homossexuais, muitas vezes mutilados, começaram a aparecer nas ruas. Acredita-se que centenas de homens foram mortos. Os retos de homens gays foram colados e fechados, e eles foram forçados a tomar laxantes e água até que suas entranhas explodissem'".




Livro: As regras de ouro dos casais saudáveis
Autor: Augusto Cury
Editora: Academia

Novamente Augusto Cury por aqui, eu sei. Minhas percepções sobre ele continuam, desde o primeiro livro que li (Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, tem uma breve resenha aqui)

Achei que As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis fosse um manual, daqueles cheios de clichês, mas me surpreendi de novo com a capacidade do Augusto de simplificar a leitura e torná-la edificante. Não é um manual, nem uma receita de bolo que você lê e todos os seus problemas serão resolvidos. Dá vontade de copiar vários trechos, tamanha a lucidez com que ele expõe suas ideias. 

O ponto principal é: para ter um relacionamento saudável precisamos ter uma mente saudável, conhecer a nós mesmos para conseguir entender o outro. 

Um dos pontos que mais me chamou atenção foi quando ele fez uma comparação entre casais e partidos políticos: ambos começam bem intencionados mas com o passar do tempo se tornam egoístas, ciumentos, brigando pela melhor discussão e melhor opinião em qualquer assunto. Vai dizer que ele não tem razão?


"Você pode não concordar com a opção e o comportamento das pessoas, mas nas sociedades democráticas e livres tem de respeitá-las como seres humanos integrais. Reitero: ninguém tem o direito de diminuir, constranger, apequenar, excluir, a outra raça, cor, condição física, opção sexual, religião ou ideologia filosófica. Quem o faz não é digno de maturidade. É uma criança, ainda que tenha status de intelectual. É pobre, ainda que seja um milionário. É frágil, ainda que tenha poder sociopolítico." (p. 17)




Livro: Corações Descontrolados - Ciúmes, raiva, impulsividade. O jeito borderline de ser
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar

Ana Beatriz é uma psicóloga carioca que já escreveu, dentre outras coisas, sobre psicopatas, autistas, bullying e consumismo. Depois de ler um trabalho dela você entende o motivo de "Mentes Perigosas" ter se tornado um best seller. 

Antes de decidir por História, queria fazer Psicologia, sempre gostei de ler sobre o assunto e esse interesse aumentou ainda mais quando descobri certos problemas psicológicos que me atrapalharam e tive que aprender a lidar com isso praticamente sozinha. 

O borderline é alguém que vive no limite de suas emoções, sempre com muita intensidade. Não são pessoas mornas, definitivamente. Esse problema é geralmente confundido com depressão e bipolaridade, porque não temos muitos estudos sobre essa personalidade que afeta muita gente, principalmente mulheres. São pessoas que sofrem e podem causar sofrimento em seu círculo familiar e de amizade. A leitura desse livro é indispensável para entender o problema e começar a lidar com ele.

A escrita da autora é simples, como numa conversa entre amigas, mas ao mesmo tempo é cheia de informações clínicas "traduzidas" para o entendimento de quem não é da área. Ela nos traz muitos exemplos de pacientes que atendeu e do que já viu em sua trajetória profissional, isso faz uma grande diferença para entender que cada um pode desenvolver a doença de forma diferente, todos nós temos nuances. 

Dá pra encontrar várias entrevistas dela no YouTube falando sobre esse tema. E como ela mesma diz, a terapia é a chave pra começar a entender seu problema. Por isso, se você sente que tem algo de errado procure ajuda profissional, somente eles poderão dizer se você tem essa doença ou não. 


E vocês, o que leram no mês que passou? 

Post coletivo UA: O que rolou no mês de Julho

3 de agosto de 2016

Estava com saudade de participar de postagens coletivas do grupo Universo Alternativo, lá no Facebook! A ideia desse projeto é contar como foi nosso mês, o que nós fizemos, descobrimos, assistimos, enfim... Às vezes passamos tão depressa pela vida que nem nos damos conta dos bons momentos que vivemos não é?

Post coletivo UA: O que rolou no mês de Julho

1 - Logo no primeiro dia de julho eu me mudei! Estou morando junto com meu noivo e em janeiro vamos nos casar oficialmente. O Hulk tava no meio da bagunça na hora da mudança.

2 - Dia 10 foi aniversário do meu filho, fizemos uma comemoração bem básica em casa mesmo e eu fiquei super feliz de ter acertado o ponto do brigadeiro para enrolar (sou dessas apressadas que comem de colher mesmo).

3 - Foto aleatória após comer pastel hahaha. Somos aquele tipo de casal que vai onde tem comida e adoramos essas saídas para conversar sobre a vida. 

4 - Tentei assistir Stranger Things e... NÃO ROLOU. Desculpa universo, sei que tá todo mundo adorando essa série mas simplesmente não vi graça nenhuma e desisti =(

5 - Em compensação sigo firme e forte em American Horror Story. A temporada Coven é minha preferida até agora (quero todo o figurino!)

6 - Fiquei feliz por terminar o quinto semestre de História. Sinceramente não vejo a hora dessa faculdade terminar! Estou começando a dar aulas particulares, principalmente para quem está se preparando para os principais vestibulares. Eu sei que o que você passa, miga (e migo).

Acompanhe as outras participantes:

Vultus Persefone
Bah Lopes
Lady Dark's
Eccentric Beauty

 
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