Representatividade pra quem?

12 de outubro de 2016

Representatividade pra quem?


Em qualquer canto dessa internet você vai encontrar as palavras "representatividade" e "empoderamento". Não tem pra onde fugir. Elas estão lá como um alerta sobre os novos tempos. Alguns vão dizer que o mundo está ficando chato, outros vão aplaudir e colocar a plaquinha da perfeição em tudo que aparecer, sem questionar nada. 

Todo mundo sabe que a publicidade mudou, assim como a forma de vender um produto ou serviço. Uma marca existe para que haja lucro, se isso não ocorrer não há motivos para existir. Marcas não vivem de aplausos, muito menos de "lacração" na internet. Então por que acreditamos, ingenuamente, nessa falácia do empoderamento e da representatividade?

É roupa sem gênero, maquiagem sem gênero, loja de roupas criando campanhas plus size sem uma mulher gorda de verdade e agora até a revista masculina mais famosa do mundo terá uma gorda na capa. Revolucionário? Não, eu diria. As marcas só viram uma oportunidade de lucro e estão criando campanhas geniais para vender empoderamento.

Empoderamento não depende de uma camiseta com frase motivacional estampada, da foto sensual no espelho ou daquele batom poderoso que você comprou. Ninguém se empodera dessa forma. É como passar maquiagem de manhã e tomar banho à noite, tudo sai na água. Empoderamento vem de dentro, é a construção da sua autoestima, com suas convicções, buscando conhecimento e reconhecimento pessoal. Você não precisa de likes na sua foto nem da aprovação das marcas para ter seu valor. 

O que pra nós significa luta, para as marcas são simples nichos de mercado que geram lucro, porque tá na moda ser empoderada. E nós estamos lutando para ver qual corpo vende mais. 

Devemos lembrar que o feminismo não pode ser individualista, não é somente sobre "meu corpo minhas regras". É necessário discutir certas questões, mesmo que seja problematizando as ações das próprias mulheres. Sem essa autoanálise qual é o sentido da nossa luta? Se o seu feminismo só serve para alimentar o capitalismo e o famoso patriarcado, se ele não incomoda e não provoca, então volte duas casas. Feminismo é para nos libertar de nossas correntes, não escolher qual a algema mais bonita para nos prender.

Uma observação: recortes são necessários e a representatividade para a mulher negra pode ser diferente. Caso você seja negra e queira contribuir para o assunto aqui no blog, escreva para blogalternativagg@gmail.com


 
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